JIMMY PAGE

Fiquei assustado com uma foto recente de Jimmy Page do Led Zeppelin. Mesmo susto que deve ter tomado aquela garota de Curitiba, ao me ver 20 anos depois de nosso primeiro encontro abrigando na barriga todo o tempo de nossa separação.O tempo é o mais sacana dos democratas.
Era Uma Vez Um Rapaz Latino-Americano
Na época da ditadura militar brasileira, e das outras no continente, que orquestraram um tempo sombrio para todos, eu e mais alguns desocupados ripongos de esquerda inventamos uma banda de música latina: o Grupo Tarancón. Das garagens do Cambuci, bairro de São Paulo, para o mundo! Era a nossa brincadeira. Acreditávamos de pés juntos que tocando aquelas músicas andinas ou de autores desconhecidos no Brasil como Violeta Parra, Victor Jara, Rubén Blades e compartilhando a idéia de que a América Latina devia ser uma só ajudaríamos em uma mudança para melhor. Atravessamos décadas fazendo da música do continente uma bandeira de união. Não deu certo. A América Latina e sua música ficaram do mesmo jeito e seu povo também. Alheios aos nossos anseios. A memória de algumas ações idiotas nossas desafiando bobamenteos militares hoje me gela a alma, mas também me ajuda a rir ao constatar como éramos inocentes. A gente podia ter se dado muito mal por irresponsabilidade juvenil.
Normal! Idealismo, romantismo, vontade, juventude e hippismo tudo junto... O continente de língua espanhola, continua o mesmo. Coalhado de ditadores vagabundos eleitos pelo povo, aquele mesmo pelo qual a gente queria fazer uma imensa ciranda. Azar.
Continuo não gostando do Maradona e amando o Chile e sua presidenta, acho Cuba um lamentável engano assim como Che desfruta de minha olímpica indiferença. Gosto do rock, da música folclórica e do pop e das cumbias dos hermanos. Vi ontem mesmo uma reportagem sobre a Virus , uma excelente banda de rock argentino. A mi manera trago o continente em meu coração,
mas já não espero tanto dele. Escuto o Jatari do Equador com a devoção que escuto os Stones ou Julieta Venegas e estamos conversados. Como disse aquele beatle chato : o sonho acabou. Mas existe sempre um outro, novo, em gestação, ou como diz a letra da canção interpretada magistralmente pelo Raíces de América:“no hay fuerza que detenga a la esperanza” (Osvaldo Avena/Facundo Cabral).
A Goiabeira de Niemayer

Meninos, eu vi! No Memorial da América Latina, o mausóleu das artes de nuestros hermanos latinos, há uma frondosa goiabeira que cresce e floresce à revelia de seu berço de concreto .
Da série " minhas implicâncias comportamentais" . Vamos combinar: piercing no umbigo é nojento !!!
Macrô
Ainda na série "minhas implicâncias culinárias". Alguém poderia me responder porque toda comida macrobiótica é de cor cinza ?
Salsa ! Gracias A La Vida !
Novamente tentam introduzir a salsa (essa designação genérica de ritmos caribenhos) no mundo brasileiro. Novamente através
de trilha sonora de uma novela da Globo. Deve ser a terceira vez, que me lembre. Não deu certo das outras vezes e acho que de novo não vai rolar. A culpa não será da Rede Globo nem dos americanos (que como sabemos são responsáveis por todas as mazelas do mundo!) mas de algum preconceito fortemente enraizado. Ou o Brasil é outra coisa mesmo e não tem nada a ver com a América Latina. Aliás, essa observação sequer é minha é de Isabel Parra filha de Violeta Parra, a autora de Gracias A La Vida . Talvez ela tenha razão.
Peixe Cru
O que mais me irrita nos adeptos da comida japonesa é a cara de quem conseguiu finalmente a iluminação através da culinária oriental. E os olhinhos de superioridade e nojo diante do cidadão que se regozija diante de um pastel de feira e recusa um filé de peixe “on the rocks”. Numa boa: cru só vivo, se é que me entendem...
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