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FAROESTE CABOCLO

Minhas crianças estavam cantando  “Só Quero um Xodó”  de Dominguinhos e Anastácia para Festa Junina da Escola. Essa os gringos perderam... 

LARISSA 

Todos os dias ela vinha de Van para a escolinha. Se sentava ao meu lado na muretinha da entrada e tínhamos altos papos. Visitas ao médico do posto, vacinas, injeções, tosses e esparadrapos no dedo eram nossas pautas. Larissa começou a vir com a mamãe e começou a me ignorar. Fiquei aborrecido. Velhos e crianças de 6 anos tem seus caprichos. Hoje passou por mim ao lado da mãe e  me enviou um sorriso enorme. Estou iluminado até agora.  


MÁGICA

Minha esposa Esmeralda (não podia ter nome melhor e nem mais bonito) é mágica. Consertou minha  vitrola.  Estou escutando vinil direto e sem escalas. É delicioso o cerimonial de escolher, olhar a capona do disco, o encarte, pegar no braço da vitrola, colocar a bolacha preta no prato toca disco, escutar o chiadinho preliminar e voar com a música mesmo que você esteja lavando a louça do dia anterior. É mágico. Magia que a música perdeu nos tempos de internet e que o vinil conserva.


Haja!

No Brasil, todo artista que morre vira gênio ou show musical.

RONCOS e SUSSURROS

Inácio roncava muito. Delicadamente sua esposa o despejou da cama de casal. Feito cãozinho de estimação foi relegado a um colchão de solteiro ao lado da companheira. Sem ração. Não deu certo. Seu ronco foi novamente despejado, agora para a sala, mas ali Inácio descobriu um novo mundo. A televisão proporcionava a ele seriados e canais de filmes picantes que ele ignorava. As madrugadas passaram a ser excitantes e deliciosas. A mulher sentiu sua falta. Reconduzido ao trono conjugal notou que ela também roncava. E muito.  E foram felizes para sempre. Sempre que possível.

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